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Based on a work at www.emendasesonetos.blogspot.com. Emendas e Sonetos: <strong>HENRIVILLE: O BATISMO FRANCÊS DO RIO DE JANEIRO</strong>
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Sou jornalista e escritor. Publiquei o livro ´Manual do Serrote - nos botequins da vida, sem contas nem despesas´, pela editora Bruxedo,(www.manualdoserrote.blogspot.com), ´O Velho Oeste Carioca´, volumes I e II, sobre a História da zona oeste do Rio de Janeiro, pela editora Ibis Libris, e "A rebelião dos sinais", de ficção, pela editora Multifoco. Colaborei em jornais como crítico literário e reuni todos os textos feitos desde 1995 no blog www.criticasmansur.blogspot.com

7.23.2010

HENRIVILLE: O BATISMO FRANCÊS DO RIO DE JANEIRO



Um dos maiores mistérios que envolvem os turbulentos anos da fundação da cidade do Rio de Janeiro é o da construção de Henriville, aquele que seria o primeiro aglomerado urbano europeu nas Américas. A cidade, vamos chamá-la assim, teria sido fundada pelos franceses comandados pelo almirante francês Nicolas Durand de Villegagnon em 1556 na altura da atual praia do Flamengo, mais precisamente na foz do rio Carioca, que obviamente na época era formado por águas limpas e cristalinas, bem diferente de hoje, quando desemboca de forma fétida na praia do Flamengo.

O nome Henriville era uma homenagem ao rei da França, Henrique II. Seu nome aparece em vários mapas da época e também numa carta de Villegagnon ao Duque de Guisse, além de constar em um panfleto anônimo dos calvinistas. Um dos argumentos mais fortes a favor da sua existência é que seria extremamente lógico que Villegagnon realmente tivesse mandado construir uma base em terra. Ela serviria de apoio à ocupação da ilha que levaria o nome do francês, onde foi instalado o Forte Colligny para defender o que foi denominado pelos súditos de Henrique II de França Antártica. Hoje na ilha fica a Escola Naval.

Segundo os relatos da época, em Henriville conviviam pacificamente centenas de franceses e índios tamoios, que cultivavam frutas e legumes para abastecer a população do forte e ainda recolhiam água do rio Carioca. Na ilha não havia nem água potável, o que só aumenta a crença de que o aglomerado urbano realmente existiu. A relação entre os franceses e os tamoios, inimigos ferrenhos dos tupinambás, aliados dos portugueses, era muito boa. Liderados por Cunhambebe, que se tornou grande amigo de Villegagnon, os índios preparavam as toras de pau Brasil que tanto interessavam aos franceses, capturavam araras, papagaios, micos e outros animais exóticos para os europeus e, em troca, os franceses lhes entregavam as quinquilharias de sempre, tecidos, machados, colares, miçangas etc.

Henriville teria sido completamente destruída em março de 1560, quando a expedição comandada pelo português Mem de Sá, então governador-geral do Brasil, derrotou os franceses do forte Colligny. Villegagnon estava na França, justamente tentando buscar reforços para sua colônia carioca. A falta de qualquer vestígio da pequena cidade francesa se justifica: afinal, não ficaria bem para os portugueses terem de admitir que o Rio de Janeiro nasceu falando francês e só depois mudou de língua.

Aguardo sua visita aos meus outros blogs:

www.criticasmansur.blogspot.com
www.manualdoserrote.blogspot.com

9 Comments:

Anonymous Ruy Castro said...

Caro André,
Você conhece meu livro “Carmanal no fogo --- Crônica de uma cidade excitante demais”?
Tem uma longa descrição sobre Henriville e Villegagnon no Rio.
Abs,
Ruy

7/29/2010 10:47:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Olá, Ruy, tudo bem? Não conhecia este seu livro não, vou procurar, até porque o tema me interessa bastante. Obrigado pela dica.

Grande abraço!

7/29/2010 10:47:00 AM  
Anonymous Túlio Villaça said...

Caraca, muito maneiro. Eu sou vidrado na história da Cidade. Você devia fazer só isso.
A propósito, que fim levou o romance passado na Tiradentes que você escreveu? Tá em blog ainda, vai sair em papel, e-book? Abração.

8/05/2010 09:05:00 AM  
Anonymous André Luis Mansur said...

Fala, Túlio, beleza? Legal você ter gostado, eu também sou fascinado pela História do Rio, estou sempre lendo algum livro sobre o tema e ´viajo´ muito quando ando pelo centro da cidade.

Aquele livro, o ´Vera Lúcia´, resolvi aguardar um pouco para lançar mais para a frente, quero trabalhar mais um pouco nele.

Abração!

8/06/2010 06:26:00 AM  
Anonymous Matusa Freitas said...

É ISSO... NA MINHA OPINIÃO A MISCIGENAÇÃO COMEÇOU AÍ. O RIO DE JANEIRO SEMPRE TEVE ESTA MISTURA DE CULTURAS EUROPÉIAS, NATIVA E AFRICANA. ABRAÇOS E ATÉ.

Matusa Freitas

8/06/2010 03:52:00 PM  
Blogger Luciana said...

Olá,

Não entendi uma coisa: Cunhambebe não foi líder dos Tupinambás?

11/21/2010 03:40:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Olá, Luciana, tudo bem? Cunhambebe era realmente um líder tupinambá, mas os tupiniquins chamavam os tupinambás de tamoios, que significa algo como ´mais antigo´. Tupiniquins e tupinambás eram os principais grupos indígenas na época e ora viviam em harmonia, ora em guerra, muitas vezes insuflada pelos europeus. Vou explicar isso no texto para ficar mais claro.

Um abraço e obrigado pelo comentário!

11/24/2010 04:01:00 AM  
Anonymous Rachel Krishna said...

Oi, André!
Muito bacana seu blog! Está de parabéns!
Abs,
Krishna.

2/18/2011 02:30:00 PM  
Blogger André Luis Mansur said...

Muito obrigado, Rachel! Beijos.

2/21/2011 04:59:00 AM  

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