FRAGMENTOS DO RIO ANTIGO
Ronaldo Morais é médico aposentado e pesquisa a História do Rio de Janeiro há pelo menos 30 anos. Durante um bom tempo, principalmente nos anos 80, ele e alguns amigos sacaram de suas máquinas fotográficas e percorreram toda a cidade e alguns municípios da região metropolitana para registrar (a maior parte em preto e branco) tudo o que considerassem relevante do ponto de vista da memória e do patrimônio histórico, não apenas monumentos de bela arquitetura e valor histórico já definidos, mas também casas humildes, estabelecimentos comerciais, vilas operárias, estações ferroviárias e outras construções. O resultado recebeu o nome de "Fragmentos do Rio Antigo" e o mais importante é que muito do que foi registrado já foi demolido ou sofreu profundas alterações. Um exemplo são estas fotos do Chafariz projetado por mestre Valentim da Fonseca e Silva, na praça XV, tiradas por Ronaldo no ano de 1987 durante obras de restauração feitas pela prefeitura.
Podemos observar boa parte do cais de 80 metros de extensão que havia ali. Construído pelo engenheiro sueco Jacques Funck com granito da ilha das Cobras colado com óleo de baleia, mamífero que freqüentava muito a Baía de Guanabara, o cais foi inaugurado em março de 1789 junto com o chafariz e deixou de ter função após o aterro que o afastou da Baía de Guanabara, em 1874. Durante muito tempo este foi o cais mais importante do Brasil, pois ficava próximo à sede do poder e dos órgãos mais importantes do governo. Foi ali, por exemplo, que desembarcou a Família Real fugida das tropas de Napoleão Bonaparte em 1808. Após o aterro, foi construído o Cais Pharoux, mais à frente, que também era abastecido por um cano, como se vê na seguinte foto. (basta clicar nas fotos para vê-las ampliadas)
O Chafariz da Pirâmide, como era conhecido devido ao seu formato, recebia água de outro chafariz, no Largo da Carioca, através de um cano que passava pela atual rua Sete de Setembro, muito apropriadamente chamada de rua do Cano. Marinheiros desciam dos barcos, subiam as escadas e recolhiam água potável, vinda direto do Rio Carioca e passando pelos Arcos da Lapa, para as embarcações maiores, fundeadas na Baía de Guanabara.
Na obra registrada por Ronaldo foi a primeira vez que houve realmente uma preocupação arqueológica no local, pois foram encontrados vários objetos de uso cotidiano da população carioca em ´priscas eras´, como moedas, cachimbos, escovas de dentes feitas de osso, tamancos, bolsas, cordas etc. Próximo ao prédio da Bolsa de Valores foi encontrado também um canhão.
Após outras obras, que impediram a visão abaixo do chafariz, a última restauração, já há alguns anos, manteve a visão de parte do cais e das escadas. E o chafariz, apesar de longe do mar, continua bem conservado e seria muito interessante se fosse aberto à visitação pública, ou pelo menos que instalassem uma placa mostrando a importância do cais e do chafariz, monumentos importantíssimos da História da cidade e do país e que ficam ali, completamente ignorados, diante das milhares de pessoas que passam em volta todos os dias.


16 Comments:
Puxa... Não conhecia a historia do chafariz do Largo da Carioca. A gente passa pelos lugares e nem se dá conta de todo história que existe ali. Abs, Marcio
É mesmo, Márcio. Por isso que acho importante umas plaquinhas, custa pouco e dá um retorno enorme em termos de ´turismo histórico´. Abração!
É isso aí, Mansur! A história do Rio merece essa bela homenagem. Meus parabéns a você e ao Ronaldo Morais!
Muito obrigado, professor! Este é um tema que o senhor conhece bem, não é? Grande abraço!
Sensacional a história do chafariz! Adorei!!! A memória de um povo é tudo! Aguardo mais fragmentos! Bjs e parabéns de novo!!!
Obrigado, Cris. Virão mais, com certeza. Beijão!
Amigo, os posts estão cada vez melhores, parabéns...
KAREM REGINA
Olá gostaria de adicion=a-lo no face...
Lá no face estou registrado com o meu nome completo, bem fácil de achar.
Muito obrigado, Karem:). Beijos.
bela reportagem. poderia ser uma série sobre os chafarizes do rio
abs
mauro trindade
Já está na pauta, Mauro. Abração e obrigado!
É meu amigo... mas, o "New York Center" na Barra todo mundo conhece. Blaaah!
É verdade, Volner, bem lembrado. Abraços.
OI André, muito bom o seu blog. Já favoritei e aguardo mais histórias. Beijos, Raquel
Muito obrigado, Raquel. Beijos!
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