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Based on a work at www.emendasesonetos.blogspot.com. Emendas e Sonetos: <strong>POR QUE CACHORROS ODEIAM BICICLETAS?</strong>
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Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Sou jornalista e escritor. Publiquei o livro ´Manual do Serrote - nos botequins da vida, sem contas nem despesas´, pela editora Bruxedo,(www.manualdoserrote.blogspot.com), ´O Velho Oeste Carioca´, volumes I e II, sobre a História da zona oeste do Rio de Janeiro, pela editora Ibis Libris, e "A rebelião dos sinais", de ficção, pela editora Multifoco. Colaborei em jornais como crítico literário e reuni todos os textos feitos desde 1995 no blog www.criticasmansur.blogspot.com

6.08.2011

POR QUE CACHORROS ODEIAM BICICLETAS?


Pedalava eu tranquilamente quando...

Tomei a quarta vacina anti-rábica, de um total de cinco. Tive de fazer a série completa, pois o vira-lata que abocanhou o meu pé direito era desconhecido, um morador das ruas, becos e sarjetas. Ainda tentei procurá-lo, indaguei dos moradores próximos se sabiam dele, se tinha ocupação fixa, namorada ou se sofria de algum trauma com ciclistas na infância. Nada. Apenas informações vagas, deseoncontradas, que me impossibilitaram encontrar o paradeiro do meu agressor canino. O pior foi que no dia da mordida comentei o fato com um amigo, esperando solidariedade, e ouvi a resposta, bastante tranquilizadora: "Ih! Já deve ter morrido. Alcoolizado!".

Não sei por que cães odeiam tanto bicicletas. Talvez algum problema ancestral, como sugeriu um amigo, ou por ser a bicicleta algo grande e ameaçador para eles, como o também são os carros, cavalos e motocicletas. Tenho bastante experiência em ser perseguido por vira-latas quando estou sobre duas rodas. Há até uma gangue de três cães que correm atrás de mim todas as noites, já começando a latir bem antes de eu chegar perto. O mais curioso é que o líder deles tem apenas três patas, pois foi retirado das ruas com uma pata necrosada e tiveram que amputá-la. É o mais folgado de todos e o que late mais alto, acompanhado de perto pelos outros dois. No caso, dou uma boa acelerada e logo eles desistem, felizes talvez por mostrarem sua coragem em botar para correr o inimigo bem maior do que eles. O ideal, na verdade, e mais seguro, seria desmontar da bicicleta. Eles param na hora, ou no máximo latem um pouquinho e depois vão embora, provavelmente resmungando algo do tipo: "Pô, não sabe brincar, não brinca!"

Este que me atingiu, bem longe da minha casa, me olhou na beira da calçada, um olhar nem um pouco amistoso, diga-se de passagem. Como era grande, o mais sensato seria atravessar a rua, mas eis que a impetuosidade, mãe de boa parte das tragédias humanas e animais, falou mais alto e segui em frente, acelerando, como sempre faço. Ocorreu o rotineiro: ele em correria desabalada e eu pedalando e já pensando na desistência do animal. Mas aí surge o imprevisível, pai de boa parte das tragédias humanas e animais, e meu pé escorrega do pedal (estava de chinelos havaianas) e ele dá o bote.

Uma mordida de leve, nem iria ao posto, mas dois esporros seguidos me convenceram do contrário. Tomadas as vacinas (incluindo aí uma anti-tetânica) e muito bem tratado no posto de saúde Belisário Pena, aqui no meu bairro, no dia seguinte já estava de volta à rotina, perseguido pela gangue dos três cães, que estranharam bastante minha ausência durante alguns dias.

* Aguardo sua visita aos meus outros blogs:
www.criticasmansur.blogspot.com
www.manualdoserrote.blogspot.com

24 Comments:

Anonymous Aline Targino said...

Mansur, desculpe, mas realmente seria cômico, se não fosse trágico, kkkkk...
Sei que não é legal rir da desgraça alheia, mas sua rotina com os cães é bem engraçada...

Eu também gostaria de saber o motivo dos cães odiarem tanto as bicicletas... Eu mesma já fui vítima dessa junção de fatores. Eu devia ter uns cinco anos, ainda morava em Campinas-SP, e um belo dia, quando voltava da casa de uma das minhas tias na garupa da bike do meu tio, um grupo de cachorros começou a latir distante. Quando nos aproximamos eles vieram em cima de mim e, no nervosismo, meu tio tentou sair correndo (como vc costuma fazer, hehe) e eu gritava (desesperada, rsrs) e jogava minhas pernas pra tudo quanto é lado tentando me livrar de uma possível mordida. Ok, me livrei da mordida, mas na confusão eu virei o pé e acertei a fíbula no raio da roda... Nossa, nem gosto de lembrar, foi horrível... Sem um pedaço da pele e com o osso à mostra, fomos direto para a Unicamp (e também fui muito bem atendida, por sinal) e desde então a cicatriz me faz lembrar sempre disso.

O episódio não deixou nenhum trauma com cachorros e até gosto muito deles - ao contrário da minha irmã que já foi mordida três vezes! No entanto, acredito que trauma mesmo têm os cachorros, talvez porque a bicicleta, em muitos casos, também pode ser a melhor amiga do homem...

6/08/2011 07:57:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Nossa, Aline, sua história é bem mais trágica, aliás, a sua história É trágica. Imagino a dor e do desespero na hora. A tendência é mesmo acelerar a bicicleta, não tem jeito, embora descer dela seja a melhor solução. É só manter o sangue frio, é claro.

Acho que eu não coloco banco traseiro na minha por isso. Vou colocar em risco a vida do carona e a bicicleta vai ficar mais pesada para fugir.

Você matou a charada: os cachorros têm ciúmes da bicicleta!

Beijos!

6/08/2011 10:57:00 AM  
Anonymous Aline Targino said...

Trágico, não?

Matei a charada? Hehehe

Olha o cachorro! Corre, Mansur!!!

Bjs

6/08/2011 11:36:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Rs! Já pensei em instalar um espaço para garrafinhas d´água e esguichar neles. Dá certo e não machuca o bicho. Beijos.

6/08/2011 02:30:00 PM  
Blogger Prof. Adinalzir said...

Também concordo com a Aline. Com certeza, a bronca dos cachorros deve ser com a bicicleta. Mesmo assim, toma cuidado, Mansur, rsrs!
Abraços, :-)

6/08/2011 06:01:00 PM  
Blogger André Luis Mansur said...

Vou tomar, professor. Mas qualquer dia vou dar um pulo aí na sua região pela ciclovia de R$ 20 milhões. Abraços.

6/09/2011 06:06:00 AM  
Anonymous Angélica Brum said...

Adorei.

Eu associo cachorro a Campo Grande. A gente tinha um monte. As histórias do meu irmão que fazia trocas de filhotes com os amigos - acabo de me tocar: ele virou veterinário!

O nosso cachorro atropelado, o meu primeiro contato com a morte. E com o perigo dos carros.

E o viralata do vizinho que ia com a gente até o Belisário e voltava para casa?

Muito bom. Gosto demais do seu texto e do seu humor. Muito obrigada!

6/09/2011 03:57:00 PM  
Blogger André Luis Mansur said...

Poxa, que legal, Angélica. Tenho um primo morando em Botafogo que foi criado em Madureira e ele falou logo: "Pô, ser mordido por um cachorro andando de bicicleta, isso só acontece mesmo em lugares como Campo Grande e Madureira". Aqui a relação dos vira-latas com as pessoas é muito engraçada. Na Zona Sul, já não vejo tantos cachorros nas ruas. Essa se seguir até o Belisário é muito boa, já fui seguido por vira-latas muitas vezes, acho que às vezes eles encarnam um pouco o papel de anjos da guarda.

Agradeço os elogios.

Beijos.

6/09/2011 03:58:00 PM  
Anonymous Aline Targino said...

Isso é verdade, há muitos cachorros que são verdadeiros anjos da guarda. Às vezes têm um ou outro que me acompanha até o ponto, mas eu logo mando embora porque tenho medo que eles sejam atropelados. Dá uma peninha... Outro dia mesmo, quando saí de casa, vi uns três todos encolhidos na calçada se protegendo do frio...

Na Zona Sul vejo muitos cachorros, mas sempre ao lado de seus respectivos donos/acompanhantes. Como alguns são bem “bobinhos”, acho que até correm (veja a ironia do destino) perigo de ser “mordidos” por alguma bike, patins corredor ou transeunte... hehe

Bjs, Mansur!

6/10/2011 10:31:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Também sinto muita pena, Aline, dos cachorrinhos que são abandonados pelos donos. Vejo sempre. Quando eles são criados nas ruas, conseguem se virar mais ou menos, mas quando vêm de uma casa, ficam completamente perdidos. Muitos morrem de tristeza.

Bem, cachorros correndo da minha bicicleta aqui em Campo Grande ainda não vi não - rs. Todos são bem folgados.

Beijos.

6/10/2011 04:01:00 PM  
Anonymous Gaivota said...

Acho que os cachorros desconfiam de todo aparato que nos possibilite a fuga. A lealdade canina deve interpretar a fuga como traição... mal sabem eles que há fugas tão necessárias quanto o chão. rs

6/15/2011 08:50:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

É uma visão interessante, Elisa. Já pensou se em toda traição houvesse mordida e tivéssemos que ser vacinados? Beijos.

6/15/2011 09:38:00 AM  
Blogger Ieda Oliveira said...

Dei boas risadas. Parabéns pelo texto e... cuide-se por essas ruas, hein! :)

André, no seu blog não 'Compartilhar' com alguma rede, gostaria de indicar no meu Facebook.

Bjos, Ieda

6/18/2011 08:09:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Muito obrigado, Ieda. Pode deixar que estou me cuidando, ontem mesmo um tentou correr atrás de mim, mas eu acelerei e ele desistiu - rs. Beijos.

6/19/2011 05:26:00 AM  
Anonymous Nicolau Ginefra said...

Excelente matéria!

Parabéns!

Att,

NG

6/25/2011 06:45:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Obrigado, Nicolau! Abraços.

6/25/2011 06:46:00 AM  
Anonymous Ronaldo Morais said...

Divertida crônica (para os leitores), André.

6/28/2011 06:38:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Obrigado, Ronaldo. Alguma coisa de bom teria que sair do incidente, né? Pelo menos as pessoas gostaram. Vou ver se encontro o cachorro e leio para ele. Abraços.

6/28/2011 06:39:00 AM  
Anonymous Sérgio do Amaral Alves said...

Oi André lamento o acidente que resultou, também, em um texto muito bom. Vou encaminhar o teu blog para todos os amigos do pedal. É interessante notar que nego já quebrou bomba de bicicleta na cabeça de cachorro, joga água, atropela, etc. Mas a raça ainda não parou de perseguir bicicleta. Frequentemente nas corridas de bicicleta, inclusive em grandes competições, como Tour de france, lá vem o cachorro se meter no meio para derrubar meio pelotão e exercer a vingança da raça. É não tem jeito, ou tem?

7/01/2011 03:46:00 PM  
Blogger André Luis Mansur said...

Olá, Sérgio, tudo bem? Muito bom o seu comentário. É verdade, vocês que são da ´turma do pedal´ e passam por todos os lugares de bicicleta, inclusive ´ultrapassando fronteiras´, tem um justo conhecimento de causa. Valeu!

Abraços.

7/01/2011 03:48:00 PM  
Anonymous J. Mauro Julião said...

André, bom dia! Acho que cachorros odeiam bicicletas porque tudo o que eles queriam era poder andar numa boa bicicleta. Como não conseguem, pois as patas não alcançam o pedal, eles ficam muito putos e avançam. Obs: já passei muitos perrengues com o "melhor" (?) amigo do homem. Abraços. E não esqueça das vacinas.

7/04/2011 06:07:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Excelente teoria, Mauro. Vou consultar os especialistas em psicologia canina - rs. Abraços.

7/04/2011 06:09:00 AM  
Blogger MARCO MANSUR said...

ha ha ha - o pé escorregou pq vc tava bebum?

8/05/2011 07:10:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Que nada, quando bebo fico mais atento nas pedaladas. Abraços.

8/05/2011 04:09:00 PM  

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