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8.27.2007

INGAIO PAPAGAIO (POEMA DO CONTROLADOR DE VÔO)


Que lugar é esse
onde exclui-se o mundo
onde esfria a vida
e o sabor de encontrar-se
contém-se em papilas
de medo repartido?

Que lugar é esse
escuro e frio
onde brilham feixes
de elétrons concentrados
em LUAS CHEIAS de perigo iminente?

Que lugar é esse
que me impõe essa existência
cheia de dor e esperança?

Que lugar!

Templo de tecnológica penunbra
Obrigação escalada de seres aborrecidos
Farol permanente de alados monstrengos de aço

Que lugar!

Onde me desfaço e
me descabelo
me despeço cada vez que entro
e me liberto cada vez que saio.

Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro - 21/4/81 - Sala de radares, Controle de Tráfego Aéreo

Silvio Alves (jornalista e controlador de Tráfefo Aéreo reformado)

O LIVRO "FURACÃO ELIS" DE VOLTA


Publicado em 1985, o livro "Furacão Elis", da jornalista Regina Echeverria, volta às livrarias pela Ediouro. Nessa reedição, Regina nos brinda com uma biografia, "atualizada, revista e ampliada" da inesquecível cantora Elis Regina Carvalho Costa.

O livro biográfico de Elis Regina começa pelo bairro de Navegantes, em Porto Alegre, cidade em que nasceu, e tem seu desfecho na triste manhã do dia 19 de janeiro de 1982, quando morreu a artista. Primeira filha do casal Ercy e Romeu, a menina foi criada de maneira simples ao lado do irmão Rogério. "Furacão Elis" conta a trajetória musical da cantora, seus casamentos, sua vida familiar, seus amigos e a complexa relação que mantinha com os pais. Mostra o lado explosivo do seu temperamento e sua busca na qualidade musical, fato que marcou muito o trabalho e carreira de Elis. Para escrever o livro, a jornalista entrevistou os familiares, amigos, músicos, artistas - pessoas que se relacionaram com a cantora.

A jornalista relata com detalhes os passos da grande dama da música popular brasileira. Entra nessa exposição o conhecido programa "Fino da Bossa", por onde passavam os grandes nomes da música brasileira; a participação nos festivais; as excursões internacionais; seus relacionamentos afetivos e sua chegada ao auge como reconhecida cantora da MPB. Entremeando, o livro traz importantes depoimentos dos ex-maridos Ronaldo Bôscoli e César Camargo Mariano, e de Gilberto Gil, Luiz Carlos Miele, Roberto Menescal, Miriam Muniz, Solano Ribeiro, Marcos Lázaro e outros.

Ao desembarcar no Rio em março de 1964, Elis, com 18 anos, encontra uma cidade onde ferve a bossa nova. Nesse cenário musical e político, a carreira começa a ser construída na Cidade Maravilhosa. Regina Echeverria nos mostra uma Elis "para quem a vida se dividia em 8 ou 80, amor ou ódio". O leitor vai conhecer uma mulher de temperamento forte e que encarava sua arte de cantar com muita seriedade e profissionalismo.

O livro é também um excelente registro das imagens, com belas fotos da cantora ainda criança, as festas em famílias, trabalhando no palco, com os três filhos, as horas de lazer. São retratos de uma Elis que acenou para uma geração da qual Regina é testemunha. A Pimentinha, apelido que ganhou de Vinicius de Moraes, sabia como ninguém cantar com o coração. Quem não se lembra de Elis cantando Madalena, Atrás da Porta, O bêbado e a equilibrista, Arrastão, Wave, Águas de Março, Dois pra lá, dois pra cá, Casa no campo, Maria, Maria...

Outro importante momento do livro são bilhetes escritos pela cantora e anotações do disco que seria gravado em janeiro de 1982. A extensa discografia dela aparece ao final do volume, além de quadrinhos do cartunista Henfil. Elis viveu apenas 36 anos. Elis é saudade. "Furacão Elis" é a história de "uma mulher que merece viver e amar como outra qualquer do planeta".

Cláudia Ferreira (do site www.diversaocerta.com.br)

8.06.2007

Os bons e NOVOS tempos (II)



A TRINCHEIRA DOS BLOGS

Se na música a Lapa foi o ponto de encontro da nova geração, o terreno onde autores até então desconhecidos se destacaram reside no plano virtual. O crescimento dos blogs, de uns quatro anos para cá, deu visibilidade a muita gente de talento, como Ana Maria Gonçalves (anamariagoncalves.blogspot.com), que lançou o ótimo "Um defeito de cor" (Companhia das Letras), um livro de quase mil páginas sobre a escravidão no Brasil e vencedor do importante prêmio "Casa de las Americas".

Ana Maria seguiu caminho interessante: formou um público leitor, editou por conta própria um livro e ganhou visibilidade para ser acolhida por uma grande editora. Outros autores, ou já publicaram, ou com certeza vão publicar ainda, mas já têm um público fiel no meio virtual: nomes como Marcelo Moutinho, Antônia Pellegrino, Daniel Galera, João Paulo Cuenca, Sérgio Rodrigues, Cecilia Gianneti e Augusto Sales, entre muitos outros.

A grande vantagem do terreno virtual é que os blogs podem ser descobertos através de mecanismos de pesquisa, como o Google. Assim, os textos, que antes ficavam guardados numa gaveta sombria envolta em papel pardo agora são expostos num endereço que pode ser encontrado na rapidez de um clique.

É claro que, como em qualquer outro ramo de atividades, a filtragem separa o joio do trigo. Há aqueles que usam o blog apenas para manter um diário de coisas que só interessam a quem escreve. Os que realmente têm algo a dizer vão cada vez aumentando mais a visitação diária de seus blogs, o que é extremamente importante para democratizar o acesso às publicações e renovar a literatura.

Para concluir, vai aqui a dica do melhor contador de acessos de blogs e sites que existe, muito bem detalhado e eficiente: www.google.com.br/analytics

* Lá em cima: Ana Maria Gonçalves.