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7.23.2009

LULA, SARNEY E COLLOR...20 ANOS ATRÁS



Youtube (www.youtube.com) é hoje o site de vídeos mais popular da Internet e o que mais me fascina nele é a possibilidade de ver vídeos antigos, cenas de filmes, séries, novelas, propagandas, gols, shows etc. Um mundo audiovisual surpreendente que possibilita, a qualquer um, o estabelecimento de uma memória afetiva das mais ricas para uma geração que já nasceu ligada na televisão, mesmo que fosse em preto e branco, sem controle remoto e com botões de horizontal e vertical.

Quanta gente já não assistiu a um vídeo no youtube e o relacionou a algo importante, feliz ou triste, da sua vida, desdobrando uma corrente de lembranças que seria praticamente impossível sem esse ponto de partida? Proust já explicava este processo, ainda bem antes da linguagem virtual, na sua grande obra “Em busca do tempo perdido”.

No caso da política, o youtube nos presta um outro serviço, essencial para o processo democrático: mostrar o que os políticos pensavam, diziam e faziam em priscas eras, comparando com o que são hoje. Não é mais uma questão de escavar arquivos empoeirados de jornal, está ali a imagem viva, nua, crua e colorida para quem quiser. E um que me chamou muito a atenção foi a do debate entre Lula e Collor na eleição presidencial de 1989, mediado por Alexandre Garcia (o nome do vídeo é Debate: Collor x Lula (1989) - 2 de 2). Naquele momento, Lula liderava as pesquisas de opinião e era a esperança de milhões de brasileiros que sonhavam com a ética na política, a principal bandeira do candidato e do Partido dos Trabalhadores, o único partido que não precisava pagar militantes, voluntários que acreditavam ser a estrela vermelha do PT um oásis em meio ao deserto de conchavos, corrupção e apadrinhamentos da política brasileira.

José Sarney era o presidente da República. Desgastado com uma inflação de 80% ao mês e responsável maior pelo embuste eleitoral que foi o Plano Cruzado, nenhum dos candidatos queria associar sua imagem ao presidente. Num determinado momento do debate, perto do final, Collor pergunta ao "outro candidato", como ele se referia a Lula: "Eu gostaria de saber como é que ele recebe, e como é que ele se sente, recebendo o apoio para a sua candidatura do senhor José Sarney e do senhor Moreira Franco, governador do Rio de Janeiro".

E Lula, que hoje, de barbas e cabelos grisalhos e bem penteados, bem diferentes da época, e defendendo com unhas de dentes Sarney, atual presidente do Senado e envolvido no escândalo dos atos secretos, respondeu, entre outras coisas: "Pouca gente neste país brigou contra o Sarney como eu briguei" e "Eu espero que (o presidente José Sarney) vote corretamente, depois de tantos males que causou ao Brasil".

Mais não precisa ser dito, basta a imagem da semana passada, em que Lula e Collor aparecem fortemente abraçados, como se fossem amigos de longa data. Na política já disseram que tudo se esquece, mas pelo menos está aí o youtube para nos lembrar.

7.13.2009

REMINISCÊNCIAS (VI): DISQUETE E CONEXÃO DISCADA


Quem diria? O disquete já virou peça de museu.

Pois é, aquele pequeno objeto quadrado, capaz de armazenar uma certa quantidade de informações, já nem pode ser usado nos novos computadores, que não apresentam o compartimento para o seu uso, o chamado ´drive´. Quando alguém introduz o disquete em computadores mais velhos, numa lan-house, por exemplo, o barulhinho característico da operação chama logo a atenção de quem está por perto. São inevitáveis os bochichos, comentários, sussurros e risinhos contidos de uma geração que não tem tempo sequer de se apegar aos pequenos utensílios do dia a dia. O próprio CD-Rom, coitado, que armazena uma quantidade maior de informações, também já é bem pouco usado, e o pen-drive, que ainda está na moda, provavelmente irá pelo mesmo caminho, tal a velocidade das mudanças.

E a conexão discada? Com a expansão da internet e a melhoria da sua qualidade, a ´grande rede´ está chegando aos mais distantes lugares. Gente que nem tem computador em casa consegue acessar a web em lan-houses por um ou dois reais a hora com banda larga, o que permite ao usuário ver fotos, baixar vídeos, ouvir músicas, participar de joguinhos superincrementados etc. Mas há bem poucos anos a maior parte da conexão era discada, com aquele ruído característico e irritante. De segunda a sexta, ainda era possível se conectar rápido, mas nos fins de semana e feriados, com muita gente em casa, a conexão era um suplício e a mensagem “tente novamente mais tarde” era o prenúncio de uma longa espera. Muita gente deixava o discador no automático e ia fazer outras coisas. Alguns até almoçavam, faziam a siesta e quando voltavam...nada. Quando conectava, era uma festa, quase com direito a fogos, mas muitas vezes não demorava e caía de novo. E nada de baixar arquivos pesados, como fotos ou vídeoS, que aí era bem pior.

Dentro desta temática, uma atividade bastante divertida hoje é folhear revistas de informática dos anos 90, que muito se assemelham a papiros manuseados apenas por paleontólogos. Pois que outro nome poderíamos dar a um ´computador´ 286 senão de dinossauro? E as previsões dos ´especialistas´ sobre a capacidade de armazenagem, que não chegavam sequer perto da metade da metade dos computadores atuais e seus ´gigamegas´ de memória paquidérmica?

Mas acredito fielmente que em cinco ou dez anos no máximo é bem provável que alguém leia este artigo de forma bastante irônica, fazendo comentários do tipo: ‘ih, os caras ainda usavam mouse´, ´caramba, o pessoal ainda precisava de teclado pra mandar mensagem´ ou...´pra que eles precisavam de modem pra acessar a internet´? Enfim, o jeito é tentar acompanhar o ritmo das mudanças, ou ´chutar o balde´ e voltar a enviar sinais de fumaça e pombos-correio.