Follow by Email

1.21.2017

TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO



De cada dez pessoas que você encontrar na rua, pelo menos oito vão dizer que o ministro Teori Zavascki foi vítima de um atentado. Pessoa fundamental na delação premiada da Odebrecht, Teori era, a julgar pelas conversas telefônicas reveladas entre Sarney, Romero Jucá e Renan Calheiros, entre outros, não era uma pessoa lá, digamos, "flexível", daí a sua morte ter sido, com certeza, comemorada por muita gente, embora, diante das câmeras, todos lamentassem.


Mesmo que sejam apresentadas provas contundentes contra esta versão, não há jeito. Os autores das teorias da conspiração não acreditam em provas contundentes, mesmo que sejam descobertas pelo próprio autor da teoria da conspiração. Em tudo há algo além do que foi dito, esta é a premissa básica da teoria da conspiração. E, convenhamos, suas versões são sempre bem mais interessantes do que o que realmente possa ter ocorrido.


Outras teorias da conspiração famosas no Brasil referem-se ao acidente aéreo que matou o presidente Castelo Branco, em 18 de julho de 1967, ao acidente de automóvel em que morreu Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto de 1976, e à morte de João Goulart, vítima de ataque cardíaco, em 6 de dezembro de 1976, todas colocadas na conta da linha dura da Ditadura Militar. Há teorias fascinantes, como a de que Hitler não se suicidou no seu bunker, em Berlim, no final de abril de 1945, quando o Exército Vermelho já estava babando por encontrá-lo vivo. Há quem diga que o Führer conseguiu fugir e teria morrido na Argentina, ou mesmo em São Paulo. Há outras toerias clássicas, como as de que Elvis não morreu, Jim Morrison não morreu, que Getúlio teria sido assassinado etc. Se você argumentar o contrário, vão te chamar de ingênuo, no mínimo, e dizer algo do tipo: "Tu já viu o corpo? Deixa de ser bobo, você não sabe do que eles são capazes!" O "eles", no caso, é o pronome-alimento fundamental das teorias da conspiração.


Uma que ouvi recentemente, e que achei até divertida, foi a de que Tiradentes não teria sido enforcado, e sim outra pessoa. Ele teria sido ajudado pela Maçonaria e morado no Rio de Janeiro, trabalhando como barbeiro durante o período da Corte de D. João. O detalhe é que Tiradentes era conhecidíssimo no Rio de Janeiro, portanto teria que ser colocado um sósia perfeito no lugar dele na forca para que ninguém reparasse na troca, mas o que são esses "detalhes" diante de uma legítima teoria da conspiração?


Mas a mais fascinante de todas para mim, mais até do que a que diz que George Bush já sabia que haveria o atentado no World Trade Center (tese defendida pelo cineasta Michael Moore e na qual confesso que acredito), foi a da Copa de 98, a de que a misteriosa convulsão de Ronaldinho foi na verdade apenas uma justificativa para a derrota do Brasil para a França, derrota que estava acertada entre toda a delegação brasileira e que todos receberiam uma fortuna da Nike.


E cadê o Zagalo que não desmente? Hum, aí tem...

1.11.2017

A BATALHA DE URUÇUMIRIM

                                              Atores do grupo O Corsário Carioca

Há 450 anos acontecia, na região que hoje compreende parte da zona sul do Rio de Janeiro, a batalha de Uruçumirim, que consolidou a fundação da cidade (ocorrida em 1º de março de 1565) e provocou a expulsão de franceses e seus aliados tupinambás (ou tamoios, que significam "os mais antigos, os avós").

Os portugueses, comandados pelo governador Estácio de Sá e por seu tio, Mem de Sá, estavam situados na pequena faixa de terra compreendida entre os morros Cara de Cão e Pão de Açúcar, que hoje é a Praia de Fora e abrange a Fortaleza de São João. Ali, durante dois anos, eles foram atacados com frequência pelos índios aliados dos franceses em canoas que se aproximavam de forma soturna da pequena ocupação portuguesa. Um poderoso sistema de aldeias, que ia da foz do Rio Carioca, na atual Praia do Flamengo, se prolongava até o morro de Uruçumirim, hoje o morro da Glória. Havia também uma aldeia importante na Ilha da Maracajá, atual Ilha do Governador, que também já foi chamada de Paranapuan, entre outros nomes.

Como já se sabia que franceses e tupinambás estavam muito bem entrincheirados, tanto nas aldeias de Uruçumirim quando na Ilha de Maracajá, a expedição de combate foi preparada com muito cuidado. A esquadra contava com seis embarcações. O padre José de Anchieta, o Cacique Araribóia e outro sobrinho de Mem de Sá, Salvador Correia de Sá, também estavam presentes.
Ao amanhecer do dia 20 de janeiro, após uma missa comandada por Anchieta e o bispo D. Pedro Leitão, as tropas se dividiram em três, comandadas por Estácio de Sá e Gaspar Barbosa, que lutariam em Uruçumirim, e outra que lutaria na ilha de Maracajá comandada por Cristóvão de Barros. Com o reforço, os portugueses partiram para o combate. A batalha durou três dias, com muitos mortos e feridos de ambos os lados, entre os quais o próprio Estácio de Sá, atingido por uma flecha no rosto e que o fez sofrer durante um mês até a sua morte, em 20 de fevereiro, nas instalações portuguesas da Praia de Fora. O cacique tupinambá Aimberê também morreu na batalha e sua cabeça foi colocada numa estaca. A conquista da Ilha de Maracajá, também chamada de Paranapuan, entre outros nomes, também foi difícil. Outro que perdeu a vida foi Gaspar Barbosa, na batalha de Uruçumirim.
Os franceses e tupinambás sobreviventes ainda permaneceram em terras que iam da atual cidade de Niterói a Cabo Frio até 1575, quando foram dizimados a mando do governador Antônio Salema. Os portugueses iriam ocupar o hoje extinto Morro do Castelo. Em torno dele havia charcos, pântanos, lagos e mangues, um imenso desafio que os desbravadores da cidade iriam enfrentar ao longo dos séculos.