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10.20.2008

VIOLÊNCIA NO FUTEBOL


Segue abaixo uma relação de frases ligadas à violência e que são utilizadas no dia a dia do futebol. Não sei até que ponto elas influenciam a violência dentro e fora do campo. Uns vão falar que sim, outros que não tem nada a ver. Mas, enfim, acho que vale uma reflexão, pois mesmo quem acompanha o esporte talvez não perceba como ele está repleto de expressões deste tipo.


- Matou a jogada; matou a bola; matou a defesa adversária.

- Fuzilou o goleiro adversário.

- É a chance de se vingar da derrota do ano passado.

- Deu um tiro certeiro de longa distância.

- Fez uma jogada que matou o goleiro.

- A competição vai ser decidida no mata-mata.

- Mandou a bomba, que explodiu no travessão.

- Mandou um míssil.

- O time se recuperou e atropelou todos à sua frente.

- O jogo foi uma verdadeira batalha.

- Mandou um petardo de fora da área.

- Um verdadeiro bombardeio de cruzamentos na área.

- O artilheiro deste ano é um verdadeiro matador.

- Acertou um balaço no ângulo.

- A batalha de Montevidéu.

- O time caiu para a zona da degola.

- Uma das armas dele é o cruzamento na área.

- O atacante mirou de fora da área e acertou o alvo no ângulo.

- Acho que ia golear, mas tomou uma surra.

- O jogo foi um verdadeiro massacre.

10.17.2008

CHEGA DE CRISE!


Acho que ninguém agüenta mais ver todos os dias as mesmas imagens de operadores da Bolsa com a mão na cabeça, olhar perdido ou sentados de cabeça baixa. A crise é séria? É. Pode afetar a gente? É...pode. Mas, pelo que vejo, o pior dela já passou e quem anda nas ruas das grandes cidades percebeu que as dezenas de financeiras continuam com a corda toda, despejando funcionários nas ruas ávidos por conseguir novas vítimas, digo, clientes, e oferecer empréstimos (ou seja, crédito) sem comprovante de rendimento nem consulta ao Serasa. Se o primeiro elemento econômico a sumir numa crise é o crédito, ela, pelo jeito, não passou por aqui.

Ah, algumas empresas perderam muito dinheiro com a alta do dólar. Mas também ganharam fortunas quando a moeda americana estava em baixa, o que aconteceu durante muito tempo. Ora, este é um risco normal de quem atua em um sistema econômico volátil como o capitalismo. Dentro de uma grande empresa há analistas que fazem projeções sobre alterações no sistema financeiro. E há quanto tempo ouvimos falar que a “bolha iria estourar”? Se, com tantas informações disponíveis no mundo capitalista selvagem e globalizado, alguns empresários não se prepararam, paciência.

Já estava na hora também de se parar com este endeusamento de algumas figuras do mundo das finanças. Desde 1997, quando fui redator de economia do Jornal do Brasil (ainda na saudosa sede da Avenida Brasil) e estourou a crise dos tigres asiáticos, que ouço falar que o mercado está apreensivo com a possibilidade de uma recessão americana. Lá, como cá, eram usadas com exaustão as mesmas imagens citadas no início deste texto. O então presidente do Federal Reserve (caprichar na pronúncia), o Fed, Alan Greenspan, era exaltado como um deus. Não à toa, a expressão “Todo Poderoso” era constantemente empregada em relação a ele. Lembro de uma frase quase apocalíptica a respeito de Mr. Greenspan: “Quando este homem fala, o mundo treme!” Meu Deus...

Por quanto tempo seremos massacrados com índices, gráficos, projeções e viés de baixa e alta? Um dia a Bolsa despenca, noutro dispara. “O mercado está nervoso”, “O mercado aguarda com cautela”, “O mercado está eufórico”. Falam do mercado de ações como se ele fosse realmente um representante fiel da economia de empresas e países, mas se esquecem que hoje, com esta orgia desenfreada de grandes capitais migrando de um para outro lado do mundo com um simples toque no teclado, o marcado de ações está muito mais para um cassino de grandes proporções do que outra coisa. Só perde dinheiro mesmo o desesperado que retira a aplicação quando as ações despencam, ou seja, o investidor de primeira viagem. Os tubarões então vão lá, compram os papéis em baixa, os índices disparam e mais uma fortuna foi feita, quase sem esforço físico nenhum.

Ah, mas o “valor de mercado” das empresas caiu em tantos por cento. O valor de mercado é tão volátil quando os índices da Bolsa. Podem ter certeza de que quando tudo se normalizar, em breve, o valor de mercado das empresas vai estar lá, no lugar onde sempre esteve. A única coisa que mudou é que, por enquanto, algumas megafusões e megacompras de empresas estão em suspenso. Nada demais, afinal todos ganharam muito dinheiro com a farra e agora aguardam apenas a ressaca passar.

O capitalismo precisa destas crises sistêmicas, até para poder sobreviver enquanto “agoniza, mas não morre”. A locomotiva (no caso, a economia americana) dá uma freada para sacudir os vagões lá atrás, mas daqui a pouco retoma a viagem. Portanto, vamos falar mais de cultura, meio-ambiente, ciência, política e esporte e deixar a “crise” um pouco em segundo plano. O mundo já tem vários outros motivos para “tremer” de vez em quando.

10.06.2008

NÃO É DO MEU TEMPO


Uma das desculpas mais esfarrapadas quando alguém quer justificar a falta de conhecimento é alegar que tal assunto “não é do meu tempo”. Se formos pensar assim, nenhum dos diversos estudiosos que vêm falando sobre a obra de Machado de Assis no ano de centenário de sua morte está autorizado para tal função, pois nenhum deles é do tempo do genial escritor. Ou aqueles que pesquisaram a chegada da Família Real ao Brasil, há 200 anos, pois com certeza ninguém vivo hoje dividiu um franguinho com D. João VI.

Para quem utiliza este argumento, portanto, o livro, um documentário ou mesmo a transmissão oral de nada adiantam na transmissão do conhecimento. E esse “meu tempo”, na verdade, é bastante relativo, pois quando o tempo histórico de uma pessoa se inicia? Na fecundação? No nascimento? No primeiro beijo? No primeiro fora? Ou naquilo que se costuma chamar de vida adulta, o que também é bastante relativo, pois tem gente de 40 anos que age como criança e adolescente de 15 anos que sustenta uma família.

Por outro lado, há uma questão mais séria que envolve este tipo de argumento. O que é mais importante? Ter vivido na época em que o fato ocorreu, no calor dos acontecimentos, ou poder avaliá-lo com o devido distanciamento histórico? Ter tomado um café com Machado de Assis na rua do Ouvidor ou perceber, através de estudos recentes, a dimensão cada vez maior que a obra do escritor atinge? Dimensão esta não percebida na época dele, apesar de ele ter atingido a glória ainda em vida.

O ideal seria juntar as duas coisas. É claro que no caso citado seria impossível, pois teríamos de encontrar alguém com no mínimo uns 120 anos, lúcido e com uma memória privilegiadíssima para recordar uma conversa com Machado. Mas há, por exemplo, diversos livros importantes sobre a II Guerra Mundial escritos depois do fim do conflito por pessoas que participaram ativamente dele. No calor da guerra, russos e americanos eram aliados, mas uma década depois já eram inimigos ferrenhos, só para dar uma idéia de como o distanciamento histórico é importante.

Li uma vez que cientistas já desenvolveram todo o conhecimento teórico para produzirem uma máquina do tempo – só falta encontrar a loja onde comprar as peças. Portanto, quando isso acontecer, e aí com certeza não será do meu tempo, poderemos ter a união entre o “calor dos acontecimentos” e o “distanciamento histórico”. Desta forma, um mestrando de História que quisesse se aprofundar nos seus estudos sobre a Inconfidência Mineira poderia pedir para passar uma semana na antiga Vila Rica (atual Ouro Preto) e voltar sem dúvidas, provavelmente um pouco sujo e, quem sabe, com um dos dentes arrancados pelo próprio Tiradentes. Sem anestesia, é claro.