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6.19.2008

SEÇÃO DE GASTRONOMIA (APENAS PARA ESTÔMAGOS FORTES)


A ESTÉTICA DO PODRÃO

Muitos o chamam de bate-entope, MacPombo, ou outros nomes mais sugestivos, porém ele é mesmo mais conhecido como podrão. Trata-se de qualquer guloseima (geralmente um ´x´ qualquer coisa) que provoca duas sensações naquele que o consome: a primeira, é a satisfação imediata da fome; a segunda, algumas horas depois, é o arrependimento e a promessa de que nunca mais irá incorrer em tal erro. Mas passam-se alguns dias e lá está ele de novo, consumindo o podrão.

O ´x´ da questão, como qualquer consumidor de ´fast-food´ de rua sabe, vem da simplificação do cheese, queijo em inglês, que de ´cheeseburger´ virou x-burguer e depois x-burg, passando a denominar o maior de todos os podrões: o x-tudo, que, como o próprio nome diz, engloba realmente tudo que se possa pensar. São, geralmente, três pedaços de hambúrguer, ovo, presunto, queijo, batatas fritas, alface, cebola, tomate, bacon e o que mais a imaginação do vendedor oferecer.

Confesso que já consumi alguns podrões, principalmente durante a madrugada após uma saída, sem nenhum lugar aberto, que é quando o podrão aparece como a única opção para resolver aquela fome devastadora. Na verdade, acredito que muita gente, principalmente contínuos que precisam comer algo rápido na rua, desenvolvem uma espécie de resistência aos podrões. Desenvolvi essa resistência quando comi, há muitos anos, um salgadinho na Central do Brasil na época em que as lanchonetes da Central assustavam qualquer um. Hoje não.

Muitos podem indagar se o cachorro-quente também não é um podrão e eu respondo, sem sombra de dúvida: o cachorro-quente, que muitos também chamam de dogão, está na categoria dos podrões mais antigos e o primeiro a ser incrementado, deixando para trás o tradicional pão com salsicha (ou lingüiça) e molho de tomate, pimentão e cebola, para abrigar em sua forma estreita produtos de grande diversidade, resultando daí numa mistura cujo maior mérito, tanto para quem vende quanto para quem compra, é manter o produto em perfeito equilíbrio. É claro que sempre ocorrem algumas quedas de petiscos, o que os vira-latas de plantão, sempre atentos, agradecem.

Para aqueles que nunca comeram um podrão, mas têm curiosidade, o único conselho que dou é: cuidado! O organismo que não está acostumado pode sofrer um revertério daqueles de expulsar as tripas. Mas se a pessoa realmente quiser, é melhor começar aos poucos. Um churrasquinho de gato aqui, um joelho acolá, quem sabe um pastel de vento e uma coxinha, quem sabe...mesmo assim o podrão é sempre um risco, até para quem já está acostumado. Eu, que há muito tempo não o consumo, acho melhor não arriscar. Prefiro sempre, após uma saída noturna, esperar para chegar em casa e encarar o velho e tradicional miojo (também conhecido por alguns como ´que nojo´), o verdadeiro bálsamo da madrugada.

7 comentários:

Anônimo disse...

Marcello disse...

Só comi poucas vezes esses sanduíches. Vale aqueles cachorros-quentes do Maracanã nos anos 80? As únicas coisas que tinham gosto eram o catchup e a mostarda. Você tinha que comer de cabeça erguida, sem olhar o que está comendo.

Em Natal (RN), há uma diferença entre hot dog e cachorro quente: o hot dog é tradicional. Mas "cachorro quente" é com carne moída no lugar da salsicha. Olha, os aspectos da carne e do pão eram de entristecer...

Abraços.
MARCELLO BRUM

Felipe Vasconcelos disse...

Confesso que já fui mais consumidor dos "podrões", até o dia em que me tornei um consumidor mais ávido do álcool. Sei que este último incentiva a fome pra comer o "bate-entope", mas acontece que em decorrência dos exageros no álcool, muitas vezes não sobra grana pra comer depois, aí o jeito é esperar chegar em casa e comer aquele feijão quentinho com pimenta numa caneca em plena madrugada (rs). Só para acrescentar, André, o que dizer dos "prensadões" que surgiram por aí? esse é para quem se encontra em um grau avançado, eu por exemplo, não encaro, mesmo tendo uma certa resistência. Mas de que adianta tanta cautela, se o que importa é se tem picles ou não? né? rs
Como sempre, excelente texto André, de um sarcasmo e humor fundamentais.
Abraços

André Luis Mansur disse...

Marcello, vale sim, boa lembrança. O ´Geneal´ era o cachorro-quente mais sem graça do mundo. Um verdadeiro bate-entope saboreado nos intervalos dos jogos.

Nossa, boa informação essa da diferença entre hot-dog e cachorro-quente. Já sei o que não pedir se um dia for lá.

Abraços.

André Luis Mansur disse...

Felipe, acredito que a melhor pedida para o fim de noite, principalmente depois de algumas cervejas, seja mesmo o caldo, principalmente o de feijão. Qualquer coisa gordurosa junto com cerveja e o resultado, bem você o verá na manhã seguinte.

Sobre prensadões, é um assunto que não domino nem quero dominar. Mas fica aí a deixa para outros especialistas comentarem.

No fundo, a verdade é que a culpa é sempre do picles.

Valeu. Grande abraço!

Anônimo disse...

Mansurca,

lembrei-me daquele barzinho perto da Tribuna (Fuligem de Ouro...), que servia um sanduíche que, quando caía no chão, nem os gatos dali comiam!!!

mas a gente encarava... era só passar bastante limão, pra matar as bactérias mais resistentes, e mandar pra dentro!

bons tempos!!!

- ZEROCAL.

André Luis Mansur disse...

Rapaz, boa lembrança. ´Fuligem de ouro´ é mesmo um ótimo nome. Nós comíamos um sanduíche de carne assada no pão francês e bem provavelmente as mãos que o produziam tinham acabado de pegar numa vassoura. Acho que era mesmo o limão que remediava tudo. Aquele bar, por sinal, está fechado há um tempão.

Abraços.

Edeilda disse...

Excelente....rs Esses sanduíches têm de tudo mesmo o pior é que não é só esse tipo, aquele famoso M, está deixando muito a desejar..rsrs O melhor remédio é chegar em casa e comer o que tiver mesmo...rs Nossa quanto tempo não como Miojo, ele quebra um galho e tanto..rs...eeehh!Tempo bom! ;o)
Beijos