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7.08.2008

POESIA DE BUTECO


aí né...lá tava eu num buteco.
dancei com a filha do neco
bebi chop no caneco,ela quase teve um treco!
aí né...levei ela num quarto vazio
ela gritava com eco,a cama fez reco reco
e quando acordei de manha
a filha do neco teve um buneco.
aí né...lá tava eu no buteco.
o neto no colo do neco
o neco olhando pro teto
o teto pingando no neto
o neto chorando de eco
eu bebendo os canecos
aí né...lá tava eu num buteco
me confessei com o padreco
perdi a mulé pro maneco
seu neco criou o seu neto
perdi tudo fiquei sem teto
juntei meus trapos e cacarecos
e fui morar no buteco.

CARLOS ALEXANDRE (DOCA)

- Foto: capa da sexta edição do guia "Rio Botequim", da editora Casa da Palavra.

10 comentários:

Edeilda disse...

Que maravilha!!! A beleza está na simplicidade.
Tem que ser muito criativo e inteligente pra escrever uma poesia assim. Seu amigo é muito bom, isso pega?!...rsrs
Beijo

Felipe Vasconcelos disse...

Genial! dá samba heim..

André Luis Mansur disse...

Também pensei nisso. Grande Doca!

Gaivota disse...

Adorei! É fabuloso, alías, como tudo o que Doca faz!

Já ouvi quando li... ou seja, dá samba na certa!

Felipe Vasconcelos disse...

Doca, esse samba é nosso e ninguém tasca! rs
abraço!

Bruna Mitrano disse...

Graaande Doca! Se não fosse dele não seria.

O cara feito de poesia...

E sempre termina em samba!

André Luis Mansur disse...

As outras dele que publiquei no blog também têm um ritmo muito bom. Só falta a melodia.

Abraços.

André Luis Mansur disse...

´Se não fosse dele não seria´. Essa frase é bem ´doca´, Bruna.

Beijos.

Bruna Mitrano disse...

Verdade, André; uma certa repetição, né? Mas uma repetição que vai afunilando e pára no "quase" de algum lugar. Comum nos poemas dele. Já existe um "estilo Doca de escrever"! Ô, menino chique!

Beijos!

André Luis Mansur disse...

Falei para ele uma vez que a poesia dele era ´elíptica´. Foi a primeira imagem que me veio do ´estilo Doca de escrever´.