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7.13.2009

REMINISCÊNCIAS (VI): DISQUETE E CONEXÃO DISCADA


Quem diria? O disquete já virou peça de museu.

Pois é, aquele pequeno objeto quadrado, capaz de armazenar uma certa quantidade de informações, já nem pode ser usado nos novos computadores, que não apresentam o compartimento para o seu uso, o chamado ´drive´. Quando alguém introduz o disquete em computadores mais velhos, numa lan-house, por exemplo, o barulhinho característico da operação chama logo a atenção de quem está por perto. São inevitáveis os bochichos, comentários, sussurros e risinhos contidos de uma geração que não tem tempo sequer de se apegar aos pequenos utensílios do dia a dia. O próprio CD-Rom, coitado, que armazena uma quantidade maior de informações, também já é bem pouco usado, e o pen-drive, que ainda está na moda, provavelmente irá pelo mesmo caminho, tal a velocidade das mudanças.

E a conexão discada? Com a expansão da internet e a melhoria da sua qualidade, a ´grande rede´ está chegando aos mais distantes lugares. Gente que nem tem computador em casa consegue acessar a web em lan-houses por um ou dois reais a hora com banda larga, o que permite ao usuário ver fotos, baixar vídeos, ouvir músicas, participar de joguinhos superincrementados etc. Mas há bem poucos anos a maior parte da conexão era discada, com aquele ruído característico e irritante. De segunda a sexta, ainda era possível se conectar rápido, mas nos fins de semana e feriados, com muita gente em casa, a conexão era um suplício e a mensagem “tente novamente mais tarde” era o prenúncio de uma longa espera. Muita gente deixava o discador no automático e ia fazer outras coisas. Alguns até almoçavam, faziam a siesta e quando voltavam...nada. Quando conectava, era uma festa, quase com direito a fogos, mas muitas vezes não demorava e caía de novo. E nada de baixar arquivos pesados, como fotos ou vídeoS, que aí era bem pior.

Dentro desta temática, uma atividade bastante divertida hoje é folhear revistas de informática dos anos 90, que muito se assemelham a papiros manuseados apenas por paleontólogos. Pois que outro nome poderíamos dar a um ´computador´ 286 senão de dinossauro? E as previsões dos ´especialistas´ sobre a capacidade de armazenagem, que não chegavam sequer perto da metade da metade dos computadores atuais e seus ´gigamegas´ de memória paquidérmica?

Mas acredito fielmente que em cinco ou dez anos no máximo é bem provável que alguém leia este artigo de forma bastante irônica, fazendo comentários do tipo: ‘ih, os caras ainda usavam mouse´, ´caramba, o pessoal ainda precisava de teclado pra mandar mensagem´ ou...´pra que eles precisavam de modem pra acessar a internet´? Enfim, o jeito é tentar acompanhar o ritmo das mudanças, ou ´chutar o balde´ e voltar a enviar sinais de fumaça e pombos-correio.

6 comentários:

Fórmula Zuuum disse...

Daqui a alguns anos, realmente não vamos precisar de mouse. Vamos pensar e a máquina vai agir. Seu texto me fez lembrar do meu primeiro contato com esta estranha máuqina chamada computador. Foi logo no início da faculdade. Era um daqueles tipo do seriado do Batman (não ocupava aparede toda, mas quase...rssr). Lembro o parto que era conseguir conectar - aquele barulhinho irritava qualquer um! E ainda tínhamos de gravar os exercícios num disquete 5 1/4 (é isso mesmo?!?!). Marcio Arruda

André Luis Mansur disse...

Caramba, disquete 5 1/4! Bem, hoje já dá para encostar o dedo na tela e ir utilizando os ícones, realmenet o mouse daqui a algum tempo será tema de alguma das minhas reminiscências, de repente o número 15 ou 16.

Vou mais longe: no meu ginásio (nem se usa mais isso), no colégio Piedade-UGF, tive aulas de processamento de dados, sistema binário etc, e o computador realmente ocupava a parede toda (rs).

Abração!

Iza Assumpção disse...

Olá! Tudo bem? Acabei de me deliciar com suas histórias e poesias . Gostei de todas mas O PRAIÃO DE STA. LUZIA e as RABANADAS são demais. Mas, vale te informar que na minha casa tem rabanada o ano todo;não é só no Natal não viu? É só dar vontade que elas chegam bem quentinhas tá? Abraço .

Edeilda disse...

El disco flexible, usé tantos, y la conexión ¿¡entonces!?...jeje..., aún me acuerdo del sonido, teníamos que esperar el tono antes de marcar.
Usé muchas, muchas veces la máquina de escribir en la facultad....jeje....En verdad, falta poco para que todo lo que utilizamos hoy sea antiguo...
Sus textos son siempre maravillosos... ¡Buen trabajo!
Besos

Lilly Falcão disse...

"Alguns até almoçavam, faziam a siesta e quando voltavam...nada." Alguns ainda almoçam, fazem a siesta e quando voltam...nada! >:(

Mais uma vez, seu texto bem escrito e bem humorado me dá ciência de que outros virão em boa hora. Grande abraço e parabéns! :)

André Luis Mansur disse...

Adorei a citação, Lilly. Muito obrigado! Beijão!