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Based on a work at www.emendasesonetos.blogspot.com. Emendas e Sonetos: <strong>CARTA PARA A MÃE</strong>
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Local: Rio de Janeiro, RJ, Brazil

Sou jornalista e escritor. Publiquei o livro ´Manual do Serrote - nos botequins da vida, sem contas nem despesas´, pela editora Bruxedo,(www.manualdoserrote.blogspot.com), ´O Velho Oeste Carioca´, volumes I e II, sobre a História da zona oeste do Rio de Janeiro, pela editora Ibis Libris, e "A rebelião dos sinais", de ficção, pela editora Multifoco. Colaborei em jornais como crítico literário e reuni todos os textos feitos desde 1995 no blog www.criticasmansur.blogspot.com

8.04.2011

CARTA PARA A MÃE

Qual a sensação de se chegar à idade em que a mãe morreu?

Cheguei, enfim, à idade em que minha mãe Lucy morreu, aos 42 anos, no hoje bem distante 1º de fevereiro de 1981. Aos 11 anos, recebia a notícia, de forma fria e seca, de uma tia-avó, sintetizada numa frase: "Morreu". Para mim, aquilo soou como o fim de uma era, algo estranho e misterioso que se iniciava e que estava preso a uma aura de sofrimento, vide o choro compulsivo de minha avó no sofá da sala.

Nunca parei para pensar em como seria quando chegasse à idade em que ela partiu. Achava que uma emoção inesperada tomaria conta de mim quando passasse a ver o mundo da idade dela, principalmente porque 42 anos, para um garoto de 11 anos, e numa época em que a expectativa de vida era menor, parecia muito tempo.

Ao me colocar na idade dela desde o último dia 3 de agosto, um dia frio e chuvoso, passei a sentir sua presença de forma viva, quase reconfortante. Como se aquele domingo ensolarado de verão voltasse de forma mais iluminada, sem a sombra amarga da morte, sem frases frias e sofridas, sem o olhar piedoso dos vizinhos, sem a chegada triste e contida de meu pai, e sem, principalmente, a sensação de que o tempo não me daria chance a um recomeço. Mas ele sempre dá.

11 Comments:

Blogger Bruna Mitrano said...

Olha, difícil comentar, viu? Lindo. Muito. Te daria um abraço agora.

8/04/2011 11:59:00 AM  
Anonymous Aline Targino said...

O tempo sempre será o elo reconfortante entre aquilo que uma vez pensávamos que jamais acabaria e aquilo que acabou, passou e o que restou nos fez sobreviver e sermos mais fortes. Não há remédio melhor...

8/04/2011 12:34:00 PM  
Blogger Veronica Nascimento said...

Querido, sua sensibilidade me comove.
O tempo nos mostra que somos apenas um ciclo de permanência, uns vão mais tarde outro não. O importante é que aproveitemos o grande privilégio de estarmos aqui e agora;então André, presenteie sua mãe aproveitando bastante.

8/04/2011 02:44:00 PM  
Blogger André Luis Mansur said...

Belos comentários...beijos para as três!

8/05/2011 05:35:00 AM  
Blogger MARCO MANSUR said...

BRAVO!BRAVO!BRAVO! >>>
Querido primo-irmão.
Nunca conversamos sobre isso, mas posso lhe dizer que senti muito.
Acompanho sua trajetória rumo ao sucesso, e lhe dou meus parabéns pelo homem de bem que se tornou. Nesse mundo louco, é facil voce se perder quando da ausência dos entes amados que já partiram ou estão muito longe.
Tenho orgulho de voce... e obrigado por fazer parte de nossas vidas.

8/05/2011 05:50:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Obrigado pelas belas palavras, primo-irmão! Abração!

8/05/2011 04:07:00 PM  
Blogger Vanessa Martins said...

Amigo, sua arte assim como sua presença me traz um pouco do conforto que preciso. Obrigada por existir. E Bruninha, pode ser um abraço triplo? Preciso muito. Bjs.

8/08/2011 04:09:00 PM  
Blogger Tisheh said...

Que BONITO André!...

8/21/2011 06:28:00 AM  
Blogger André Luis Mansur said...

Obrigado!

8/22/2011 06:07:00 AM  
Blogger Prof. Adinalzir said...

Seus escritos e sua sensibilidade fazem a diferença. Parabéns pelo texto e um ótimo domingo!

8/27/2011 05:50:00 PM  
Blogger André Luis Mansur said...

Muito obrigado, professor! Abraços.

8/29/2011 07:58:00 AM  

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