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8.14.2018

OS PRIMÓRDIOS DA ZONA OESTE DO RIO DE JANEIRO

Por André Luis Mansur

                                Mapa-.O Sertão Carioca. Magalhães Corrêa (“O Sertão Carioca”, 1936)

A zona oeste do Rio de Janeiro, chamada de “sertão carioca” pelo escritor e pesquisador Magalhães Corrêa no livro de mesmo nome sobre Jacarepaguá, foi desde o início uma terra de latifúndios, de senhores e senhoras de engenhos e fazendas, cujos limites na maioria das vezes imprecisos davam origem a conflitos e processos judiciais que podiam se arrastar por anos. Com o tempo, essas grandes porções de terra trabalhadas por muita mão de obra escrava foram sendo fragmentadas, principalmente devido ao declínio da produção dos engenhos e das lavouras, dando origem a fazendas e propriedades menores e daí a bairros e localidades que muitas vezes mantiveram os nomes dos engenhos e fazendas que lhes deram origem. Para Adolfo Morales de los Rios Filho, sertão era “a terra que ficava ao longe”. E esclarece mais: “O sertão começava no limite suburbano das cidades e vilas, nos lugares por onde passavam afastados rios, nas florestas espessas, nos vales cercados por altaneiras montanhas; principiava no desconhecido que tanto se desejava conhecer”. (O Rio de Janeiro Imperial, de Adolfo Morales de los Rios Filho)

                                                   Armando Magalhães Corrêa (1885–1944), era pesquisador do Museu Nacional e, nos anos 1930, retratou a baixada de Jacarepaguá através de artigos e desenhos publicados aos domingos no jornal carioca "Correio da Manhã.


A região, na verdade, só passou a se integrar de fato à cidade do Rio de Janeiro com os limites de hoje a partir do Ato Adicional de 1834, que criava o Município Neutro ou da Corte, e que na prática separava a capital da província do Rio de Janeiro (antes, as freguesias mais distantes eram chamadas de freguesias “de fora”). Santa Cruz, por exemplo, freguesia desde o ano anterior, se desligava do Termo (correspondente aos limites do atuais municípios) de Itaguaí para receber o batismo de “terra carioca”. Com a proclamação da República, a região se tornou a zona rural do Distrito Federal, até que, em 1960, com a transferência da capital para Brasília, ela passou a ser a zona oeste do Estado da Guanabara e em 1975, com a fusão dos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, passou a ser a zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. As freguesias e paróquias tinham os mesmos limites e abrangiam respectivamente as jurisdições administrativas e religiosas das regiões (lembrando que até a chegada da República a Igreja Católica era ligada oficialmente ao Estado).

Mapa do município Neutro
Data- Anos de 1870
Fonte- BN

O surgimento da estrada de ferro, no final do século 19, fez com que a concentração populacional e comercial se verificasse próximo às estações de trem. Além disso, a construção de novas estradas, muitas delas atravessando montanhas que só eram percorridas por trilhas e caminhos complicados, integrou mais ainda a região ao restante da cidade. A história da zona oeste começa, assim, por Guaratiba, onde, em 1567, dois anos após a fundação da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, o capitão-mor Cristóvão Monteiro recebia suas primeiras sesmarias devido aos serviços prestados na luta contra tamoios e franceses pela conquista da cidade. Como se irá perceber, esta é uma história de poucas famílias, quase sempre com algum tipo de relacionamento entre si. Não poderia ser diferente. Naquela época, em que o próprio Brasil ainda era uma terra desconhecida na sua maior parte e ainda se lutava contra os índios e os mistérios da mata, não eram muitos os que se dispunham a vir da Europa para se aventurar pelos sertões.

Mapa do Estado da Guanabara
Data- 1960


Pesquisa de imagens- Guaraci Rosa, administrador da página Santa Paciência, no Facebook, de onde foram retirados o texto e as imagens.

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