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12.04.2006

SERROTE ROBIN HOOD


Como o próprio nome diz, é o serrote que tira dos ricos e dá aos pobres. Como ele faz isso? É simples. Digamos que o serrote tenha boa presença entre as vítimas ricas, exercendo sua função onde sempre tem alguém que faz questão de pagar a conta. Este tipo de serrote não é tão comum, pois ele precisa ter uma certa dose de cultura, alguns inclusive são viajados, já estiveram em grandes centros de arte e cultura do mundo, como Londres, Milão, Viena e Nova York. Um serrote deste tipo costuma ter na ponta da língua citações de grandes escritores, sabe diferenciar um Manet de um Monet, um Mozart de um Brahms e conhece todas as regras de etiqueta possíveis.

Mas o serrote, como já foi dito no primeiro livro, é solidário, ele se preocupa com a dor do próximo, e não é por estar bem que ele se esquece dos amigos de outrora. Ora, digamos que o serrote cresceu num lugar pobre, mas que graças ao seu talento e estudo conseguiu chegar onde chegou. Se fosse um serrote esnobe, ele jamais colocaria os pés de novo no local onde foi criado. Mas o autêntico serrote não tem vergonha do seu passado, nem da sua família nem dos seus amigos. E é nesse terreno que trabalha o serrote Robin Hood.

Bem, o serrote que vive nas altas rodas é abonado, tem sempre dinheiro, costuma andar em carro zero e usa roupas e sapatos caros. Mas tem vezes que o serrote quer simplesmente sentar num boteco legítimo, comer um ovo cor-de-rosa e tomar uma cerveja preta. O problema é que ele não quer ficar sozinho. Como fazer então? Um serrote deste nível não vai serrotar num boteco, pega até mal para a sua imagem. Mas sua imagem também ficaria chamuscada se ele pagasse a conta.

O procedimento correto é o seguinte: ele sabe que o amigo que está com ele tem poucos recursos e se pagar a conta pode estar tirando algum do leite das crianças. Então o serrote utiliza uma técnica conhecida como "escondidinho" ou "dobradinho", dependendo da região do país. Ele pega, por exemplo, uma nota de 20, dobra bem e passa por baixo da mesa para seu amigo, que vai logo entender a atitude do serrote. O serrote Robin Hood assim não prejudica a sua imagem, continua sendo conhecido como serrote, mas agora ganhou um crédito no terreno da solidariedade, pois distribuiu a renda. O amigo paga a conta com o dinheiro do serrote, que ainda vai fazer um jogo de cena para quem estiver por perto, do tipo "pô, cara, vai pagar tudo?".

E volta para casa com a consciência tranqüila e disposto a voltar a serrotar nas altas rodas para recuperar seus 20 reais, com juros e correção monetária.

Leia também: um triângulo amoroso em meio aos bares e prostitutas da Praça Tiradentes. Este é o tema do meu primeiro romance ´Vera Lúcia´, que está no endereço romanceveralucia.blogspot.com

12 comentários:

Marcello disse...

Vamos esperar que o Trabalhador use essa técnica no nosso próximo almoço. Ele tem todos os predicados do texto, principalmente culto e via(ja)do. :) Abraços

André Luis Mansur disse...

É verdade. Vou falar com ele.

Abraços.

Lilian disse...

Oi, caríssimo

Hoje meu filho estava com um pequeno serrote de plástico. Um desses brinquedinhos que as crianças ganham em festa infantil. Comecei a rir sozinha e lembrei de ti. Imagine! Você já tem ranking para o serrote mais jovem da história da serrotagem? Beijo.

André Luis Mansur disse...

Ainda não, mas podemos fazer. Procure ver se ele já apresenta algumas tendências serrotenses. O Conselho Regional de Serrotagem está preparando um kit para as crianças já praticaerem a nobre arte do serrotismo. Beijinhos (pra você e pra ele)

André Luis Mansur disse...

Ainda não, mas podemos fazer. Procure ver se ele já apresenta algumas tendências serrotenses. O Conselho Regional de Serrotagem está preparando um kit para as crianças já praticaerem a nobre arte do serrotismo. Beijinhos (pra você e pra ele)

Aline Canejo disse...

Mas que absurdo! Corrompendo a humanidade desde cedo! Vou denunciar ao Procon!!!!

André Luis Mansur disse...

Corrompendo não. Ensinando, instruindo, orientando...

E aí, não vai atualizar a Madeleine não?

Beijos.

Marcello disse...

Olá! Para incentivar a profissão, tem que criar um plano de cargos e salários: do lixa de unha (serrote-baby), avançando por estilete, faca de pão, serrote senior, e master-serrote, daquelas serras elétricas que derrubam árvore na Amazônia.

E é isso aí: Não vai atualizar o Madeleine, não, pô?

André Luis Mansur disse...

Ótima idéia. Vou anotar. De repente entra no Serrote II, quando arrumarmos uma editora.

Aline Canejo disse...

Madeleine entrou de férias e resolveu conheceu a França, terra do pai dela. Sim, porque sabe-se que a mãe de Madeleine é uma frondosa, por assim dizer, mulata brasileira.
Mas pode deixar que, quando ela voltar, aviso a você. Daí, todos nós vamos tomar um chopp juntos.
Beijos!

André Luis Mansur disse...

Mande um beijo para ela então. E fico aguardando o chope. Aliás, quando você vai aparecer aqui na província?

Beijos.

Aline Canejo disse...

Puxa, rapaz...Nem sei quando irei aparecer...Vai ter algum churrasco "di grátis" por aí??? rsrsrs

Bisous