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11.28.2007

CHAPLIN NA CORDA BAMBA


É sempre bom rever Chaplin. Este artigo é sobre um dos seus melhores filmes, que revi há pouco tempo.

“O Circo” já valeria pelas cenas do espelho e da corda bamba, mas este clássico de Charles Chaplin é muito mais do que isso. Está aqui, como nos seus grandes filmes, o sutil equilíbrio entre a comédia e a tragédia, representada pela opressão sofrida pelos trabalhadores do circo, chefiados por um patrão frio e ganancioso. A cena da corda bamba é a metáfora perfeita das relações de trabalho, pois quantos não andam na corda bamba para manter os seus empregos?

O dono do circo tem um capataz, homem forte e violento, que trata os outros funcionários da mesma forma que o patrão, sem se dar conta de que ele próprio é explorado como os outros. Enredos como este e de “Tempos modernos”, por exemplo, valeriam a Chaplin a acusação de comunista, figurando na lista das bruxas do senador Joseph McCarthy nos anos 50. Chaplin nunca escondeu sua defesa da igualdade social, chame a isso comunismo, socialismo ou o quer que seja. No meio de todo o pastelão, há sempre momentos de profunda reflexão em seus filmes.

O enredo é simples, como em todos os seus filmes. Chapin, ainda como o vagabundo Carlitos, é confundido com um bandido e entra num circo, perseguido pela polícia. Acaba se tornando a principal atração, sem saber. Vai se apaixonar pela filha do dono (Merna Kennedy) e aos poucos percebe sua real condição dentro do espetáculo.

O filme traz cenas inesquecíveis, como aquela em que ele anda na corda bamba com micos pendurados pelo corpo, a da jaula do leão, e a dos espelhos, logo no início do filme. Como era comum entre os atores meio loucos daquela época, Chaplin não usou dublês nem na cena da corda bamba nem dentro da jaula dos leões.

O filme passou por diversos percalços. O estúdio foi destruído duas vezes, primeiro numa tempestade e depois num incêndio. Chaplin ficou hospitalizado seis semanas por causa de mordidas dos micos e unhadas dos leões e, para piorar, as carroças usadas no desfecho da história foram roubadas por estudantes embriagados. A trilha sonora é do próprio Chaplin, que canta a música de abertura, uma gravação feita no final dos anos 60, quando o ator já tinha 81 anos. Detalhe: no ótimo DVD que traz o filme completamente restaurado, com ótimos extras, os editores poderiam substituir a horrível palavra funâmbulo por equilibrista. Evitaria muita cara de espanto durante a exibição.

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