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3.02.2008

FILAS, POR QUE TÊ-LAS? FILAS, COMO NÃO TÊ-LAS?


Uma das instituições brasileiras mais sólidas, sem dúvida, é a fila. Há fila para tudo neste país, desde as clássicas, como a do INSS ou a dos bancos no início do mês, como a fila para se pesar, a fila se olhar a promoção de uma loja e a fila....para nada.

Comecei a me interessar pelo comportamento dos ´fileiros´ quando, ao comprar bilhetes na Central do Brasil, percebi que as primeiras filas, gigantescas, iam diminuindo nas bilheterias seguintes, até encontrar filas mínimas, às vezes com duas pessoas, nos últimos guichês. Por que as pessoas das filas da frente não andavam mais um pouco?

E aí comecei a entender o seguinte: tem muita gente que gosta de fila. É claro que se você é daqueles que ficam irritadíssimos numa fila, vai me questionar, mas preste atenção: há pessoas que realmente curtem ficar numa fila. Os motivos podem ser vários: solidão, falta do que fazer, querer ser comunicativo, vontade de encontrar alguém para xingar o governo, comentar sobre o capítulo da novela ou o jogo de ontem, pedir dicas etc, etc e uma fila de etcéteras.

A figura clássica desse tipo de fileiro é aquela que já chega com o jornal embaixo do braço e comentando alguma notícia, geralmente ruim. Outra é a senhorinha cheia de artrose que vai em busca de um ´aconselhamento médico´ (Ih, minha filha, toma isso que é tiro e queda) naquela outra característica do brasileiro: a auto-medicação.

A grande alegria dessa turma é quando chega ao guichê e o caixa diz: “Meu senhor, essa fila não é para isso não. O senhor tem que entrar naquela ali, ó”. Sim, porque tem gente que entra em fila sem nem saber por quê.

O período preferido dos fileiros é o início do mês, por causa dos pagamentos que sobrecarregam os bancos e as lojas. O bom fileiro também se sente mais à vontade num grande centro comercial. Mande um deles passar uns dias no interior que ele logo se entedia, ou então...começa a organizar algum tipo de fila. A fila do beijo na moça, por exemplo, era muito comum em cidadezinhas. Mas esta, até mesmo quem não era apreciador desta sólida instituição, pagava pra ver.

Por isso, posso afirmar, sem medo: quando pintar aquela solidão, nada de ficar em casa, vendo TV ou arrumando o que fazer. Tome um banho, vista uma roupa maneira, leve um jornal e encare uma boa fila. É quase um exercício de meditação, pois desenvolve a paciência e a perseverança. Mas cuidado: comece aos poucos, se você não estiver acostumado, pois ela pode propiciar também momentos de raiva e irritação, principalmente no verão.

Comece com uma fila pequena, do tipo padaria. Depois, passe para uma loja de roupas, em seguida ao banco e, quando estiver realmente seguro de si, vá para a fila do Maracanã na semana de uma decisão de campeonato comprar um ingresso. Se você conseguir sair sem escoriações e roupas rasgadas, já pode garantir o seu lugar em qualquer fila e começar a reprimir aqueles que chegam atrasados e tentam furar esta autêntica instituição nacional.

* Agradeço ao bom e velho Vinícius pela inspiração do título.

12 comentários:

Aline Targino disse...

Oi Mansur!
Seus textos estão ótimos, como sempre.
Mas para falar a verdade eu não tenho paciência nenhuma para fila. Só de vê-la já fico irritada.
Realmente é uma instituição nacional: pra tudo há filas. Mas o pior mesmo é quando a do lado anda mais rápido. E não tem jeito! Não adianta mudar para a outra fila que a lado será sempre a mais rápida.
Bjs

André Luis Mansur disse...

Oi, Aline, tudo bem? Isso é verdade, a fila do lado sempre anda mais rápido. E se mudarmos, acontece o contrário. Posso fazer um texto também sobre o contraponto, ou seja, o que mais irrita quem entra numa fila. No meu caso, é a pessoa que sabe o preço da passagem ou da compra, mas resolve abrir a carteira ou a bolsa na hora de pagar e ainda resolve catar um monte de moedas.

Beijos.

Aline targino disse...

Tudo bem, e vc?
Boa idéia!
É verdade... Eu, se sei o valor, sempre separo o dinheiro antes de sair de casa, pois nem gosto de abrir a bolsa na rua. Isso me distrai.
Bom, o que mais me irrita é quando estou na fila do supermercado (ultimamente tenho ido muito lá) e a pessoa da frente deixa a cestinha na esteira; e eu, que quero colocar minhas compras ali, tenho que pegá-la e colocar no canto ou no chão. Ou então quando a pessoa de trás bate com o carrinho no meu tornozelo. Putz!
Mas o que tem ocorrido muito são os erros de leitura do Riocard. É um saco!
Ah, outra coisa que também me deixa furiosa é a fila do caixa eletrônico. Eu sempre deixo um espaço entre eu e a pessoa que está retirando dinheiro - afinal, ela precisa de privacidade. Mas, quando sou eu que estou ali, a pessoa de trás fica bem em cima. Dá vontade de esganar! Também há aquelas pessoas que ficam a meio milímetro de você, não deixando nem espaço para respirar. No verão isso é terrível, ainda mais se a pessoa fica se esbarrando toda suada... Argh!

Bjs

André Luis Mansur disse...

Hum, essa do carrinho no tornozelo é dose. E têm também aqueles carrinho com volante embaixo, para as crianças brincarem. O pessoal vai ao mercado como se fosse a um parque.

Também sempre procuro deixar um espaço para a pessoa usar o caixa eletrônico. Mas se alguém ficar de olho quando você usar, dá logo uma olhada de cara feia que a pessoa se manca.

Mas realmente ninguém merece mercado no início de mês.

Beijos e boa sorte nas filas.

Aline disse...

Engraçado...Nos anos 1980, minha mãe fez uma homenagem a meu pai (no Dia dos Pais), fazendo um trocadilho com o mesmo poema (o enjoadinho- hehehe). O problema (ou a solução, dependendo do ponto de vista) é que isso foi nos Classificados de O Dia!!!!!!
Acho que não existe mais isso de botar anúncio em jornal para homenagear alguém, né? rssrsrs

Beijos

PS: Em tempo, odeio filas!!!!!!!

Aline disse...

* Ah, sim! A Aline aí de cima é a Canejo!

André Luis Mansur disse...

Oi, Aline, tudo bem? Você não se lembra como era o trocadilho? Devia ser interessante. Era muito legal esse negócio de mandar recados pelos classificados, parece ter saído de uma peça do Nelson. Hoje, não existe mais, talvez só no interiorzão. De vez em quando tem alguém que manda mensagem de fumaça, out-door ou, o que é o mais abominável de tudo, aquele carro de som com mensagens gravadas e fogos pipocando o tempo todo.

Beijão.

Rafael disse...

Ótimo texto, André!

De fato o brasileiro parece adorar fila.

André Luis Mansur disse...

Obrigado, Rafael.

Tirando a brincadeira, é realmente estranho o comportamento de muita gente que entra num fila enorme quando bem pertinho tem outra muito menor com o mesmo objetivo.

Acho que os amigos sociólogos poderim tentar desenvolver um estudo sobre o tema.

Abraços.

Samuel Punzi disse...

Já faz alguns anos, um amigo meu tinha um sítio em Nogueira, Petrópolis e tinha um puta cachorro chamado INAMPS. Todos que iam lá na casa dele para passar final de semana perguntavam de onde ele tinha tirado esse nome tão estranho. A resposta era simples e rápida, na ponta da língua.
- Esse é um Cão Fila e não respeita ninguém!

André Luis Mansur disse...

Boa, Samuel.

Aline disse...

Aline Canejo said:

Não era nada fantástico, mas ficou bem gravado em minha memória:
"Pai...Pai? Melhor tê-lo". Coisas da mamãe literata.

Adorei o cachorro Inamps. Hahahaha. Muito boa!

Beijos