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1.16.2009

RELATO HISTÓRICO

(Publicado no caderno “Zona Oeste”, do jornal “O Globo”, em 13 de setembro de 2008)

Em “O Velho Oeste carioca”, jornalista André Luis Mansur divulga sua pesquisa sobre a região

Por Thaís Britto

Reza a lenda que a região da Ilha de Guaratiba recebeu este nome por causa de um marinheiro inglês chamado William, que chegou ao Brasil junto com a comitiva de D. João. Outra sugere que a origem do futebol no Brasil não é nada daquilo que se pensa: o esporte teria nascido aqui, com os funcionários ingleses da Fábrica Bangu, antes da chegada de Charles Müller. Entre causos e fatos, o jornalista André Luis Mansur, de Campo Grande, lançará em outubro (o livro foi lançado no dia nove de dezembro, no Paço Imperial) o livro “O Velho Oeste Carioca”, onde reúne cinco anos de pesquisa sobre a Zona Oeste e sua importância na formação do Rio.

A idéia de lançar o livro surgiu no ano 2000, quando Mansur trabalhou como freelancer no projeto de pesquisa dos 500 anos do Descobrimento do Brasil.

- Sempre via informações sobre a Zona Oeste nessas buscas, mas sentia falta de publicações especíificas sobre a região. Acabei me interessando por trabalhar com pesquisa e passei a procurar histórias – comenta o autor.

Ele conta ter passado muito tempo em bibliotecas, entre as quais a do Centro Cultural Banco do Brasil, a Biblioteca Nacional e a do Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos, onde trabalha.

Diarios de viajantes europeus e obras históricas, como “As freguesias do Rio Antigo”, de Noronha Santos; Histórias das ruas do Rio”, de Brasil Gerson; e “Donos do Rio em nome do rei”, de Fania Fridman, foram algumas das principais fontes de informação jornalista. Morador de Campo Grande, ele fará o lançamento oficial da obra na livraria Arlequim, no Paço Imperial, no Centro. Mas a première será no Chopp da Villa, no bairro onde mora. Comandado por Seu Ernesto, o bar é uma ode aos velhos tempos da região.

- O Chopp da Villa é um lugar que resgata as origens da Zona Oeste. As paredes são cheias de fotos históricas e raras da região. Além, é claro, de ser um ponto de encontro cultural em Campo Grande – acentua Mansur.

De piratas a encontros amorosos

Quando finalizou a pesquisa, em 2005, o jornalista tentou lançar o livro, sem muito sucesso. Para dar vazão às histórias, surgiu o blog Emendas e Sonetos, (emendasesonetos.blogspot.com), que serviu tanto para testar o alcance da pesquisa com os leitores para, finalmente, despertar o interesse de uma editora, a Ibis Libris.

- Não queria algo que se restringisse aos moradores da Zona Oeste. O blog acabou sendo o termômetro de aceitação do livro. Recebi e-mails de muita gente, de estudantes de outros estados que pesquisavam sobre a região – conta Mansur.

Além da ilha do Seu William e do nascimento do futebol em Bangu, o autor narra fatos inusitados como a concorrência entre uma famosa marca de refrigerantes e o suco de laranja em Campo Grande (o bairro era um dos maiores produtores da fruta) e a invasão de piratas franceses, no século XVIII, em Barra de Guaratiba.

- Em 1710, uma esquadra de piratas franceses tentou invadir o Rio de Janeiro pela Baía de Guanabara. Como encontrou resistência, chegou à Barra de Guaratiba, rumou para a Barra da Tijuca e alcançou o Centro, onde acabou derrotada – explica o autor.

O bairro de Santa Cruz, de importância vital para a História da cidade, ganha espaço no livro com diversos monumentos, como a Ponte dos Jesuítas, a Fonte Wallace, o Hangar do Zeppelin (único hangar de dirigíveis ainda existente) e a Fazenda de Santa Cruz, onde hoje está instalado o Batalhão Villagran Cabrita.

- Quando D. João chegou aqui, encantou-se com a beleza da fazenda e ali construiu sua residência de veraneio. Muitas decisões importantes do Império foram tomadas aqui. E muitas histórias secretas aconteceram também, como os encontros de D. Pedro I com a Marquesa de Santos – acrescenta.

A História mais próxima da população

O historiador Sinvaldo Souza, morador de Santa Cruz, é referência na região quando se fala em passado da Zona Oeste. Segundo Mansur, ele foi um colaborador próximo, passando informações e bibliografia.

- O que o Mansur fez nesse livro é bem similar ao que Eduardo Bueno faz com a História do Brasil. Ele pegou livros importantíssimos, com uma quantidade valiosa de informação, mas que são muito chatos. E deu a eles uma linguagem jornalística, muito mais acessível às pessoas – comenta o historiador, que acredita na oportunidade do lançamento do livro.

- Acho que é muito legal para a Zona Oeste conhecer e se interessar mais por suas raízes. Os marcos históricos, por exemplo, estão abandonados, pois as pessoas não sabem do que se trata.

2 comentários:

Bruna Mitrano disse...

Cê tá fazendo um baita sucesso, seu moço!!
Viva! Viva! Viva!

André Luis Mansur disse...

Obrigado pelo apoio entusiasmado!! Realmente está indo tudo bem, mas aguardo ansiosamente sua crítica do livro. Pode falar a verdade que não irei cortar relações. No máximo, os pulsos.

Beijos.