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9.30.2016

DE MATADOURO A CENTRO CULTURAL

No antigo jornal "O Grito da Zona Oeste", de maio de 1992, o título "Espaço Cultural de Santa Cruz não sai" se refere ao Palacete Princesa Isabel, antiga Escola Princesa Isabel e que foi sede do matadouro inaugurado em 1881, com a presença do imperador D. Pedro II. A matéria interna tem como título "O engodo permanece" e cobra dos políticos e autoridades a prometida transformação do prédio, bem degradado após um incêndio, em centro cultural em um bairro carente de espaços desse tipo. Hoje, totalmente restaurado, o prédio abriga o Centro Cultural Dr. Antônio Nicolau Jorge e o Noph-Ecomuseu de Santa Cruz, com vasto acervo de pesquisas, exposições permanentes e diversas atividades culturais, tudo o que o jornal reivindicava há mais de 20 anos.
 

Muita gente pode indagar o porquê da presença do imperador D. Pedro II na inauguração de um matadouro, e ainda assim numa região tão distante do centro da cidade. Durante muito tempo a cidade só teve um matadouro, inaugurado em 1774, na praia de Santa Luzia, no centro do Rio, praia que seria depois aterrada. Este matadouro seria transferido em 1853 para o Aterrado de São Cristóvão, na atual Praça da Bandeira. Claro, havia também os clandestinos. Como as normas de higiene eram péssimas, ainda mais perto do centro de poder, foi pensado um novo lugar para o matadouro, mais limpo, higiênico e organizado. E como já existia o transporte ferroviário na cidade, foi escolhido o Campo de São José, que fazia parte da Fazenda de Santa Cruz. E assim foi feito.
 

A pedra fundamental foi lançada em 1876 e a inauguração no dia 30 de dezembro de 1881. A presença do imperador se justificava por ser o matadouro de Santa Cruz a solução para o abastecimento regular de carne para a cidade. Para a população local, o matadouro trouxe vários benefícios. O gerador utilizado, por exemplo, fez com que Santa Cruz fosse o primeiro bairro da região a ter luz elétrica. Foram construídas também duas vilas operárias, cujas construções ainda estão lá, assim como a pequena estação de trem do matadouro, esta bastante degradada.
 

O atual Centro Cultural de Santa Cruz foi construído após a inauguração do matadouro, em estilo neoclássico, tendo ao redor um jardim projetado pelo francês François Marie Glaziou, responsável pelos jardins da Quinta da Boa Vista e do Campo de Santana, entre outros. O palacete funcionou como sede administrativa do matadouro e residência do diretor e dos médicos que trabalhavam lá. E, como sempre ressaltam os diretores do Centro Cultural, Walter e Odalice Priosti, ele nunca foi residência da princesa Isabel, embora ela e seu pai, D. Pedro II, fossem muito a Santa Cruz.


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