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10.25.2016

ESPECIARIAS: O TEMPERO DAS GRANDES NAVEGAÇÕES


  Na origem das grandes navegações portuguesas, estava a busca pelas especiarias, temperos e condimentos como pimenta-do-reino, açafrão, cravo-da-índia, canela, gengibre, noz-moscada e muitos outros. Seu comércio era controlado no Mar Mediterrâneo por reinos como Gênova e Veneza, que os compravam de comerciantes árabes. A partir de 1453, com a conquista de Constantinopla pelos turco-otomanos, esse comércio ficou ainda mais restrito.

Qual a importância das especiarias? Numa época em que não havia eletricidade, ou seja, não dava para armazenar comida em geladeiras ou freezers, as especiarias conservavam os alimentos, não com tanta eficiência, é verdade, mas pelo menos disfarçava a rápida degradação da carne, por exemplo. Também eram muito usadas na medicina, em perfumes etc. Boa parte delas vinha da Índia, mas como o caminho até lá estava bloqueado, a saída para Portugal seria contornar a África, como venho contando aqui em outras colunas. No caso da Espanha, o caminho foi seguir para o ocidente, como o fez Cristóvão Colombo, que era genovês.

A pimenta-do-reino existia em abundância na Índia, seus grãos são secos e moídos e o sabor picante característico tem como origem a substância piperina. O cravo-da-Índia, apesar do nome, é originário das Ilhas Molucas, na Indonésia (também conhecidas como ilhas da especiarias). Muito usado como aroma nos alimentos e também para fins medicinais, na China ele era aplicado também como antisséptico bucal. É extraído dos botões de uma flor muito perfumada e estava, junto com a noz-moscada, entre as mais caras especiarias. A canela é nativa do Sri Lanka, na Ásia, antigo Ceilão, é uma árvore que tem as cascas processadas por um método de ressecamento. A noz-moscada também era encontrada nas Molucas, mais precisamente na ilha Banda, onde o português Afonso de Albuquerque chegou, em 1512, um ano após ter conquistado Malaca, então o centro do comércio asiático. O gengibre, que também tem um sabor picante, é originário da ilha de Java, da China e da Índia, e já era usado havia muitos séculos para problemas de garganta. O açafrão é uma pequena flor lilás, que serve para colorir tecidos de um amarelo vivo e também proporcionar um belo aroma aos alimentos. É preciso colher 50 mil flores para se conseguir um quilo de açafrão. "Por isso, desde que é conhecido, há mais de 5 mil anos, o açafrão tem sido a especiaria mais cara do mundo. Hoje é cultivado na Índia, no Irã e na Espanha". ("A magia das especiarias", de Janaína Amado e Luiz Carlos Figueiredo).

Estas são apenas algumas das especiarias. Por elas, os portugueses enfrentaram batalhas, principalmente na Índia, e abarrotaram seus navios com os famosos temperos e condimentos, estabelecendo uma linha de navegação comercial que iria prosperar muito, embora houvesse contratempos, como a criação da Companhia das Índias Orientais pelos holandeses, que disputou com os portugueses o rendoso comércio, além dos constantes ataques de piratas e corsários.
Muitas destas especiarias foram descobertas pelos europeus alguns séculos antes, durante as cruzadas, as guerras contra os muçulmanos pela reconquista da chamada terra santa, entre os séculos XI e XIII. Portanto, quando você estiver usando alguns desses temperos e condimentos, hoje acessíveis em qualquer lugar, saiba que eles foram motivos de guerras e conflitos, mas também acabaram impulsionando o contato entre povos muito distintos e também o desenvolvimento da navegação em alto-mar.

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